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segunda-feira, 22 de outubro de 2012

A crise da fender.


Em 1948, um técnico em reparação de rádio chamado Leo Fender pegou um pedaço de freixo, parafusou um cabo de bordo e acrescentou um transdutor eletrônico. Você sabe o resto da história, mesmo que ache que não.
Você o escutou nos solos de guitarra de Buddy Holly, Jimi Hendrix, George Harrison, Keith Richards, Eric Clapton, Pete Townshend, Bruce Springsteen, Mark Knopfler, Kurt Cobain etc.
É o som de uma guitarra elétrica Fender. A empresa de Leo Fender, hoje conhecida como Fender Musical Instruments Corporation, é a maior fabricante mundial de guitarras. Sua Stratocaster, que estreou em 1954, ainda é uma das mais vendidas. Para muitas pessoas, o tom cortante e as curvas sensuais do recorte duplo da Strat significam rock'n'roll.
Mas a Fender, com sede em Scottsdale, no Arizona, está lutando para se manter no mercado. As vendas e os lucros caíram não só devido à macroeconomia, mas também com os golpes de Wall Street.
A empresa de investimentos privados Weston Presidio controla quase a metade da companhia e está procurando uma saída. Ela pressionou a abertura do capital da Fender em março e recebeu críticas de que a empresa estava em liquidação.
Para vergonha da Fender, os investidores recuaram. Eles ficaram preocupados com o alto preço e sobre como a Fender poderia continuar crescendo.
Esse é o problema. Os tempos mudaram, assim como a música. Antes, as guitarras elétricas moviam o rock e o pop. Hoje, "racks" de toca-discos, "drum machines" e sintetizadores "samplers" conduzem músicas como o hip-hop. As guitarras elétricas, embora importantes, perderam parte de sua antiga magia.
A Fender também foi prejudicada pela crise econômica na Europa, região que responde por 27% das vendas. A situação no continente poderá afetar a empresa durante anos.
Muitas guitarras vendidas hoje são feitas em lugares como a China --e custam uma fração dos, por exemplo, US$ 1.599 de uma Fender Artist "Eric Clapton" Strat--, embora a Fender esteja fabricando sua própria linha de guitarras baratas no exterior há vários anos.
"Que possível nicho ficou inexplorado pela Fender?", pergunta Jeffrey Bronchick, fundador da Cove Street Capital, uma empresa de assessoria de investimentos em El Segundo, Califórnia, e dono de cerca de 40 guitarras, incluindo quatro Fenders.
A QUALIDADE COMO MARCA
A Fender pareceu como uma Pan Am das guitarras, um nome famoso que poderia simplesmente desaparecer. Leo Fender vendeu sua empresa para a CBS por US$ 13 milhões em 1965, mas a Fender lutou nos anos seguintes para manter sua identidade dentro de uma grande corporação.
Analistas dizem que a Fender, pressionada para cumprir as metas de lucros trimestrais, fez uma série de cortes de custos que causaram uma perda de qualidade e uma queda precipitada nas vendas.
Enquanto isso, no Japão a Yamaha começou a ganhar participação de mercado com guitarras baratas e de alta qualidade. Em 1980, a Fender divulgou um prejuízo de US$ 10 milhões.
A Fender gradualmente se recuperou nos anos 1980 e 1990, melhorando a qualidade, treinamento e supervisão e começando a fabricar guitarras internacionalmente, especialmente no Japão e na Coreia do Sul.
Restaurar a qualidade foi crucial, disse Bill Mendello, ex-chefe da Fender e hoje membro de seu conselho administrativo. Artistas como Clapton, que modificou sua Strat "Blackie", ficaram impressionados com a qualidade da Fender.
Leo Fender morreu em 1991, aos 82 anos. Em 2001, Weston Presidio entrou em cena e comprou 43% da Fender por US$ 58 milhões.
FENDER "VINTAGE"
Um dos maiores concorrentes das novas guitarras Fender são as antigas Fender. Muitos músicos acreditam que as Fender dos anos 50, 60 e até 70 têm algo especial, quando analistas dizem que a qualidade piorou. Os preços das Fender "vintage" dispararam.
Rick Barrio Dill, o baixista da banda de soul e rock Vintage Trouble, ficou desesperado quando seu baixo Fender Reissue Precision customizado foi roubado, em maio passado. "Tive uma sensação no estômago como se alguém tivesse morrido", lembra Dill.
Duff McKagan, o ex-baixista de Guns N' Roses e Velvet Revolver, cresceu ouvindo Led Zeppelin, Aerosmith e Clash. Ele ainda toca a Fender Jazz Special 1985 que comprou depois que a Guns N'Roses conseguiu seu primeiro contrato para gravar um disco.
Ele pode confirmar a durabilidade das Fender. Certa vez ele tentou imitar Paul Simonon, da banda Clash, quebrando seu baixo no fim de um show. "Eu fiz um giro completo com o braço e a golpeei no palco de grade metálica, mas nada aconteceu", lembra McKagan. Depois de cerca de 20 tentativas, uma lasca de madeira se soltou. "Isso bastou para mim", diz. Ele nunca mais tentou quebrar uma Fender.

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